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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

22
Mai18

A sorrir desde 2014

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Há quatro anos perdi o meu sorriso original por causa de uma estúpida paralisia facial. Foram meses de luta, energia positiva e esperança, mas também foram meses de desânimo, falta de paciência e por vezes tristeza. Tudo resultou no meu novo sorriso, que uso desde 2014!

Ao longo destes anos fui esquecendo um pouco esta fase em que o meu rosto era metade sorriso metade paralisia, mas sem dúvida que foi algo que me marcou e me mudou. Tornei-me mais forte e bastante mais sorridente. Hoje sorrio com a maior das vontades, pois sei o quanto me custou reconquistar o meu sorriso!

22
Mai16

Dois anos a sorrir

Há dois anos atrás por esta hora eu não imaginava a luta que me esperava para voltar a sorrir. Uma luta que me devolveu um novo sorriso pelo qual eu batalhei.

Recentemente ao cruzar-me com uma paciente, parece que vi o meu próprio reflexo de há dois anos, quando olhei para ela a primeira vez. Percebi logo que ela não tinha sofrido um AVC, mas sim uma paralisia facial tal como eu. Conversamos e acabei por lhe contar que passei pelo mesmo, ainda que de forma reversível, ao contrário dela. Percebi-lhe a dor, e foi bom sentir que a suavizei ao contar a minha própria história. Uma história que é agora passado, um passado que doeu, mas do qual saí mais forte. 

Tenho plena consciência que este problema não foi nada de grave, o que eu só posso agradecer a Deus, porém não deixou de ser uma longa batalha! Qualquer que seja o problema que se apresente nas nossas vidas, temos sempre de pensar que há alguém pior que nós, porque é a mais pura verdade. É isto que vou transmitindo àqueles que vou cuidando, quando os sinto mais em baixo... porque eu também já estive mais em baixo, e sei que às vezes nos esquecemos disso mesmo: que somos afortunados com coisas bem simples, que nestes momentos parecemos esquecer.

Sei que nunca me esquecerei desta página que virei, a qual espero não voltar a ler, esperando unicamente que a vida continue a fazer-me sorrir!

31
Dez15

Atrás do sorriso

Há exactamente um ano referi que tínhamos 365 oportunidades para sorrir, e de facto 2015 foi um ano repleto de sorrisos. Sorri pelas vezes que não o pude fazer em 2014! Mas o ano ainda não terminou, e hoje é dia de sorrir, ainda mais quando temos um voo à nossa espera com destino a Portugal! Aqui vamos nós, atrás do que nos faz sorrir!

22
Mai15

Um novo sorriso

Há exactamente um ano atrás o meu sorriso mudou para sempre. Depois de algumas noites mal dormidas, acordei depois de uma noite de sono bastante razoável. Sentei-me na beira da cama e bebi um pouco de água, sentindo alguma água sair pelo canto esquerdo da minha boca. Acabada de acordar pensei que tinha a cara um pouco adormecida, como às vezes acontece com as nossas mãos ou braços. Levantei-me e fui à casa de banho onde constatei que algo não estava bem. Olhei-me ao espelho e tentei abrir a boca ao máximo, e verifiquei que apenas metade da minha boca abria por completo. Vários pensamentos me assolaram entre eles o seguinte "Tenho 25 anos, não posso estar a fazer um AVC.". Sem saber o que me estava a acontecer dirigi-me às urgências com a minha amiga Joana.

Nas urgências fui imediatamente atendida assim que olharam para o meu rosto com o lado esquerdo completamente descaído, e passado uns minutos já estava numa maca à espera de ser examinada. Após vários exames físicos, o diagnóstico foi lançado: uma paralisia facial periférica, conhecida como Paralisia de Bell.

A Paralisia de Bell é uma paralisia do nervo facial, nervo este que controla todos os músculos que fazem parte do nosso rosto e que estão associados à mímica facial, à produção de lágrimas e saliva. Trabalhando eu directamente na àrea da saúde desconhecia por completo esta patologia, apesar de ser algo frequente como me explicaram no serviço de urgência. Regressei a casa com corticóides, um anti-viral e lágrimas artificiais, além da recomendação de marcar uma consulta de Otorrinolaringologia, visto que tinha tido dores de garganta e de ouvido nos dias precedentes à paralisia. Foi-me dito também que a recuperação dar-se-ia normalmente num mês e que poderia precisar de sessões de fisioterapia. Um mês de recuperação pareceu-me bastante longo... apesar disso fiquei descansada por não ter tido o famoso acidente vascular cerebral!

Geralmente de início súbito e de origem idiopática, ou seja sem causa conhecida (o que foi o meu caso), a Paralisia de Bell é causada devido à inflamação do nervo facial  como resposta a uma infecção viral, uma compressão ou falta de irrigação sanguínea. Esta leva à impossibilidade de movimentar os músculos do lado afectado. Sorrir, fechar ou pestanejar o olho, bochechar, assobiar, dar um beijinho, encher as bochechas de ar, enrugar a testa ou o nariz... todas estas expressões faciais e mais algumas desaparecem por completo, deixando o lado do rosto afectado flácido. Ainda que metade do rosto fique completamente sem expressão, a sensibilidade permanece. Foi exactamente assim que me encontrei não um mês como me anunciaram, mas vários meses. Meses em que o simples facto de rir me encomodava, devido à cara monstruosa que eu apresentava; meses a ter uma pálpebra que não fecha e o mínimo pedacinho de pó que entrasse no olho deixavam-me com a visão turva e com dores e nem as lágrimas artificiais me safavam; comer e principalmente beber tornou-se algo que tinha de realizar com cuidado para não me babar, o que na presença de outras pessoas nem sempre é algo confortável; não conseguir pronunciar correctamente determinadas palavras; e muitas outras situações que levaram a minha paciência, esperança e fé ao limite. 

Nas consultas de Otorrinolaringologia onde fui acompanhada indicaram-me que este problema poderia levar seis dias, seis semanas ou então seis meses de recuperação. No meu caso pessoal calhou-me os seis meses mais longos da minha vida. Seis meses em que lutei para reecontrar acima de tudo uma aparência normal. Algumas sessões de fisioterapia e exercícios em casa, aos poucos fui sentindo que os meus músculos ganhavam uma nova vida, e cada movimento por mais pequeno que fosse era uma grande vitória. 

Actualmente olho para trás com uma lágrima no canto do olho e vejo o quanto difícil foi essa fase onde a minha paciência, esperança e fé andavam completamente abaladas. Porém hoje olho para a frente mais forte e com um novo sorriso, pelo qual eu lutei!

01
Jan15

365 oportunidades para sorrir

Ontem terminou mais um ano e como sempre um ano que passou a voar. Ainda parece que foi ontem que contava as doze badaladas na companhia do namorido, dos meus pais, do meu irmão, cunhada e sobrinho. Esta noite as doze badaladas foram passadas longe deles, mas perto de outras pessoas de quem cuidei em mais uma noite de trabalho.

Dois mil e catorze poderia ter sido um ano como todos os outros, com momentos bons e outros menos bons, mas para mim foi sem dúvida um ano diferente. Diferenciou-se pelo facto de um pequeno problema de saúde ter testado os limites da minha paciência e da minha esperança. Um pequeno problema chamado paralisia facial periférica, do qual um dia falarei melhor. Apesar de não ter sido nada de grave, foi muito difícil acordar todos os dias durante meses sem conseguir sorrir. Após uma luta diária e graças aos bons momentos vividos em 2014, o meu sorriso voltou! Momentos passados em família ao longo do ano, desde férias passadas em Portugal às visitas surpresa da minha irmã cá em França; o nascimento do mais recente membro da família, o meu segundo sobrinho, o qual tive oportunidade de conhecer logo nos primeiros dias de vida; laços de amizade que se tornaram mais sólidos durante o ano, pessoas que sei que levarei para a vida e que tornam a saudade e a distância mais fácil de suportar; e muitos mais outros momentos vividos que conseguiram abalar uma estúpida paralisia, momentos que me fizeram sorrir muito e que ficam gravados no coração! 

Um novo ano começa hoje, e são 365 as oportunidades de sorrir. Desejo que nada nos leve a desperdiçar uma única oportunidade. Sejamos felizes, e que os nossos sorrisos sejam imensos!

09
Jun14

Estado de espiríto

Os últimos dias foram preenchidos de imensos bons momentos entre família e amigos. O tempo não poderia ter estado melhor. Vinte e três graus à uma da manhã em Paris é quase inacreditável. Houve jantares em família, entre amigos, picnics no Champs de Mars e em parques, festas portuguesas acompanhadas de Licor Beirão. Tudo programas que combinam na perfeição com o tempo de Verão que tem estado. A verdade é que estes momentos poderiam ter sido perfeitos não fosse o meu estado de espírito não andar no seu melhor.

O principal motivo de andar em baixo é o problema que me surgiu, que não sendo nada de grave e até ser bastante frequente ocorrer, têm-me feito esgotar a minha paciência. Inicialmente anunciaram-me um mês de recuperação para depois ouvir falar em seis meses. Ao fim de quase três semanas não vejo grande evolução, o que me tem deixado impaciente. Entretanto iniciarei fisioterapia, com a qual espero ver resultados rapidamente, e voltarei ao trabalho. Esta última parte tem-me deixado cada vez mais ansiosa, pois se já só o facto de as pessoas que me são próximas me perguntarem quase todos os dias se estou melhor quando não vejo grande melhoria, me tem irritado, não sei até que ponto irei ter paciência para as perguntas dos colegas e para tudo o resto...

Eu faço parecer que é fácil porque até vou brincando com a situação, mas a verdade é que há muitos momentos no dia que me sinto em baixo e com pouca esperança. Não sei. Tudo isto tem-me dado voltas à cabeça e sei que tenho de expulsar isto com uma boa dose de lágrimas, mas só tenho acumulado e acumulado.

Cereja no topo do bolo, estou naquela ótima fase do mês para as mulheres e ganhei uns quilinhos. Como conseguirei recuperar o meu sorriso assim? Definitivamente a esgotar o meu stock de paciência.

Sobre mim

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