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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

22
Mar18

Um ano sem ti

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Há precisamente um ano, sentada em mais um banco de avião, parti com um nó na garganta e lágrimas nos olhos. No fundo de mim sabia que era a última vez que via o Ricky.

Chorei muito com a sua partida, e muitas vezes me questionei se seria normal sentir tanto amor por um animal. Mas muitas outras vezes me senti abençoada. Muitos humanos têm dificuldade em amar o próximo, quanto mais um animal. Eu consigo amar os dois, não é isto uma bênção?

30
Ago17

Privilegiada

Nas minhas últimas férias em Portugal no mês de Março, o regresso foi um dos mais difíceis para mim. Vim embora com um nó na garganta depois de dizer adeus ao meu companheiro de quatro patas, pois a esperança de o voltar a ver era muito reduzida.

Voltei à rotina do dia a dia, e ao poucos a minha mãe foi-me preparando para o desfecho que eu temia. Entre várias chamadas telefónicas, perguntei-lhe como é que ele andava. Depois de ter reunido a sua coragem a minha mãe disse-me que ele tinha adormecido, para sempre. Instantaneamente as lágrimas encheram os meus olhos. 

Ele já tinha partido há cerca de uma semana quando conseguiram contar-me, pois não sabiam como haviam de me dar a notícia, sabendo o quanto eu amava aquele pequeno. Pequeno que eles também amavam, pois também foi com uma grande mágoa que disseram adeus a este patudo que era parte da família. Ele deixou-nos exactamente uma semana depois de eu me ter despedido dele, o que parece ser coincidência e me faz crer que ele esperou por mim para partir.

A primeira semana após a confirmação foi dura, pois chorei a cada vez que me lembrava dele. Além das lembranças, surgiram os sonhos. Sonhei muitas vezes com ele, e acredito que alguns desses sonhos estão cheios de significado.

Hoje passados cinco meses, a dor já desvaneceu um pouco, porém não sei o que será de mim daqui a uma semana. Voltarei a entrar pelos portões da casa dos meus pais e não o irei encontrar. Dói-me só de imaginar o vazio que vou sentir, e saber que naquele jardim repousa um animal que representava o melhor de mim.

O Ricky faria 16 anos em Setembro, pelo que há 16 anos iniciei uma das mais belas amizades da minha vida. Sinto-me privilegiada por ter partilhado a vida e ter amado um animal desta forma.

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 "Os animais dividem connosco o privilégio de terem uma alma."

(Pitágoras)

30
Abr17

Despedida difícil

Assim que cheguei a Portugal, e como sempre acontece a cada vez que regresso ao meu lar, procurei pelo meu pequeno. Fiquei surpreendida ao constatar que ele estava mais magro, mesmo estando consciente da idade avançada dele. Ainda que cansado, abatido e com uma tosse que denunciava o seu coração cansado, ele lá se alegrou abanando o seu rabiosque em jeito de brincadeira.

Durante as férias mimei-o, brinquei com ele, partilhei com ele o croissant do meu pequeno-almoço, e acalmei-o nos meus braços quando a tosse lhe aparecia. Porém os dias foram voando, chegando o último...

Nesse último dia mimei-o mais uma vez em jeito de despedida, e instantaneamente comecei a chorar. Envolvi-o no pijama ainda quente que tinha usado durante as férias, enchi-o de beijos, tirei-lhe uma última fotografia e vim embora com o coração a doer.

Entrei no carro em direcção ao aeroporto, com um nó na garganta. Já no avião o coração continuava a doer, e quando este levantou voo foi inevitável, as lágrimas cederam e inundaram-me o rosto. Senti naquele instante que me despedia para sempre do meu companheiro de quatro patas.

Quando cheguei a Paris liguei para casa para avisar que chegara bem, apesar de triste. Sabia no fundo de mim que tinha sido a última vez que tinha visto o meu cão. A minha mãe disse para não pensar nisso, que eu ainda o voltaria a ver. Acabámos as duas a rir dizendo que ele ainda iria ao meu casamento. Apesar de ela me tentar confortar, o meu coração continuou apertado pois eu tinha quase a certeza que aquela tinha sido a derradeira despedida.

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"Nossos animais de estimação têm a vida tão curta e, ainda assim, passam a maior parte do tempo esperando que voltemos para casa todos os dias."  

(John Grogan em Marley e Eu)

05
Mar17

Alma acordada

Sabemos o quanto receamos algo quando o nosso subconsciente faz questão de o relembrar durante o sono. Quando acordamos de um sonho mau, acordamos com um nó no estômago, e rapidamente somos assombrados com a possibilidade desse sonho se tornar realidade.

Foi assim que começou o meu domingo, acordando de um sonho no qual o meu cão tinha morrido. Inevitavelmente as lágrimas correram no meu rosto assim que acordei, pensando em todos os momentos que passei ao lado deste pequeno de quatro patas, desde os meus doze anos. Inevitavelmente pensei que aquilo que sonhei em breve será real, visto a idade dele. Inevitavelmente o medo tomou conta de mim, o medo de ter sido a última vez que o vi na última vez que me despedi de Portugal.

Pode parecer exagerado toda esta reacção face a um animal, mas eu sempre o considerei como parte integrante do meu lar doce lar. Só espero que as próximas férias cheguem bem rápido para eu voltar a vê-lo e enche-lo de mimo como sempre faço, porque poderá ser a última vez. 

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 "Até amarmos um animal, parte da nossa alma permanece adormecida." 

(Anatole France)

28
Set16

Ricky e Eu

Tal como o livro e filme Marley & Eu, eu também tenho uma história intitulada de Ricky & Eu na minha vida. Desde que me conheço, foram muitos os animais de estimação que tive, alguns que foram aparecendo por casa, outros nasceram, outros oferecidos. Porém, o Ricky foi o animal de estimação que eu quis ter quando tinha doze anos.

A Fofinha era a cadela de uns vizinhos que passava os seus dias a ladrar e a correr atrás de cada carro que lá passasse. Um dia ela teve dois cachorrinhos, e depois de convencer os meus pais, chegou o dia em que fui escolher aquele que seria o meu companheiro nos anos seguintes. A vizinha, que é tia de uma amiga de infância, pegou nos dois pequenos em cada mão e pediu que escolhesse um. Indecisa, olhei para eles, que eram bastante idênticos, e apontei para aquele que se diferenciava por ter uma pinta branca na ponta do rabo. E assim foi, num bonito dia de sol, uma pinta branca na ponta do rabo uniu-nos para sempre.

A partir do dia em que ele entrou naquela casa, foi uma descoberta mútua, e aos poucos um sentimento de companheirismo foi surgindo. Muitos momentos felizes, mas também momentos em que o coração apertou e continua a apertar por causa deste pequeno de quatro patas. Das vezes que ele esteve doente, em que julguei que ele fosse morrer, ou mais recentemente quando o vejo e constato que ele está a envelhecer. E quando lhe digo até já, sem saber se o voltarei a ver? Parece uma coisa de loucos, falar assim de um animal, da mesma maneira que falaria de uma pessoa que amo. 

Tudo isto, só para dizer que apesar da distância, continuo a pensar muito no meu pequeno que já faz parte da família há quinze anos. Por incrível que pareça, ainda não tinha falado nele aqui, mas estes quinze anos mereciam ser partilhados!

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"Ele me ensinou a apreciar coisas simples. E enquanto envelhecia e adoecia, ensinou-me a manter o optimismo diante das adversidades. Principalmente, ele me ensinou sobre a amizade e o altruísmo e, acima de tudo, sobre lealdade incondicional."

(John Grogan em Marley e Eu)

08
Nov13

Fiel companheiro

Com a minha visita a Portugal a aproximar-se (daqui a cerca de vinte dias), o meu sub-consciente não me tem dado descanso com sonhos atrás de sonhos com o meu lar e família. Esta noite tive direito a ter nos meus braços o meu fiel companheiro de há mais de doze anos, o meu cão. Escusado será dizer que acordei com o coração apertadinho e cheio de saudade.

13
Dez12

Cão manipulador

Acho imensa piada quando o meu cão me vê instalada no sofá e se lembra de começar a chorar para vir para a minha beira. E quando me olha qual Gato das Botas? Adoro! O engraçado é que ele consegue sempre o que quer, saiu-me cá um manipulador!

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