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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

06
Nov18

A Nossa Vez

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Acordei pensando "É hoje!". O dia começou de forma normal, sem ti ao meu lado, visto termos passado esta última noite a sós. Tomei o pequeno-almoço, fui buscar as flores e ainda dei uma arrumadela à casa, coisas normais do quotidiano, num dia que tinha tudo para ser fora do comum.
A maquilhadora e a cabeleireira foram as primeiras a aparecer em casa. De armas e bagagens, foram-se instalando para me transformarem numa princesa. Fomos conversando serenamente de tudo e de nada. Confidenciaram-me que estavas tranquilo quando te viram momentos antes, o que me surpreendeu, por seres de natureza um pouco nervoso.

Assim que elas terminaram, eu já só queria vestir o vestido. Esperei pelas damas de honor, e por momentos senti uma ponta de stress aparecer. Duas delas acabaram por chegar, e sem mais demoras vestiram-me num misto de alegria e emoção. Corri receber os meus convidados, e entre beijos, abraços e fotografias a derradeira hora chegara.
Entrei no carocha branco dos anos 60 com os meus dois anjinhos, e lá fomos nós em direção à igreja. Entre o espanto de um em andar num carro sem cinto, e o choro de outro por o carro ter tido dificuldade a pegar, houve um momento em que fui invadida por uma enorme emoção. Aquele era o momento.
Assim que chegamos, o meu pai veio buscar-me ao carro para me acompanhar ao altar. A magnífica Ave Maria de Schubert estava a ser cantada quando entrei na igreja, a qual deixei de ouvir assim que comecei a ver os rostos familiares que foram surgindo à minha frente. Acabei presa no teu olhar e no teu melhor sorriso.
Com muita emoção e um pouco de nervos à mistura, a cerimónia decorreu melhor que o esperado. O sacramento do matrimónio, as leituras lidas pelas melhores, o rito judaico e uma declaração de gratidão dirigida aos nossos pais. Não faltaram os sorrisos, as lágrimas, os risos e até as palmas.
Saímos da igreja cobertos pelo meu véu rendado, sobre um manto de capas negras, debaixo de uma chuva de arroz e purpurinas. Beijos, abraços e mil desejos de felicidade. A festa ainda ia no início e os comentários sobre estar tudo a ser magnífico já se faziam ouvir.

17
Out18

Adeus vida de solteira

A três dias de dar o nó, passei uma noite praticamente em branco devido ao stress dos últimos pormenores a tratar. Levantei-me da cama com o pior humor de sempre, e assim que descobri uma borbulha na minha cara, senti que definitivamente os astros não estavam alinhados a meu favor! Decretei naquela manhã que não iria até ao Gerês aproveitar o feriado com os amigos, algo que tínhamos combinado na véspera.

As amigas resolveram aparecer em casa insistindo para eu sair, até que deitada na cama, tal e qual uma criança, desatei a chorar desalmadamente. Elas nunca me tinham visto naquele estado, pelo que acabaram por me dizer que estavam ali para a minha despedida de solteira! Enxaguei as lágrimas e com alguma vergonha, aprontei um saco e obedeci.

Assim que chegamos ao destino e vi a minha irmã, duas primas e as minhas melhores amigas, o meu mau humor sumiu por completo. A partir daquele momento decidi que iria aproveitar ao máximo junto delas.

Em pleno ambiente de natureza apanhamos sol, demos um mergulho e partirmos as nove a aventura. Equipada de um véu, um tutu lilás, e de uma venda nos olhos fui guiada pela floresta por dois cavalheiros. Caminhei numa ponte suspensa completamente às escuras, e assim que me tiraram a venda vi o que me esperava: bem acima das árvores, eu teria de saltar.

Com bastante medo, mas com o incentivo delas bem lá em baixo, saltei. Saltei, gritei e libertei-me. Libertei-me do medo, do stress e da minha vida de solteira! Depois disto senti-me pronta para tudo!

Realizamos outras atividades em conjunto, onde as fobias de algumas foram ultrapassadas e passamos uma tarde bastante divertida, mas também cansativa. Foi com grande satisfação que fomos para o restaurante em forma de chalé ao fim do dia, onde um jantar bastante divertido nos aguardava. Comida, bebida, risos, conversas atrevidas e polaroides. Daqui já só quis acabar a noite a dançar, pelo que as melhores amigas concretizaram o meu desejo, levando-me à discoteca dos meus tempos de estudante onde esgotei o meu stock de energia dançando!

Acordei na manhã seguinte com uma certa dose de ressaca, mas com uma dose ainda maior de gratidão por ter tido um dia tão espetacular e feliz graças a pessoas tão especiais!

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18
Set18

Cada Verão tem uma história

A história deste verão foi chegar a Portugal em pleno início de Agosto. Foi voltar às Festas Gualterianas os dois, comer um belo de um pão com chouriço e apanhar um peluche nas máquinas, fazendo-nos recordar outros tempos. Foi passear nas ruas de Guimarães e sermos fotografados na cidade onde já deixamos tanto amor em cada recanto. 

Foi estarmos entusiasmados com os preparativos do nosso dia, e já bem perto dele entrarmos em parafuso. Foi treinar a nossa dança na casa que desejamos habitar definitivamente um dia, num chão sujo de arroz e purpurinas. Foi ter um ataque de nervos três dias antes do casamento, e desatar a chorar desalmadamente enquanto as amigas tentavam arrancar-me de casa, e eu recusava. Foi conseguirem convencer-me e me surpreenderem com a melhor despedida de solteira que alguma vez imaginei.

Foi voltarmos ao sítio do nosso primeiro beijo na véspera, e dormirmos sós para nos reencontrarmos já na igreja. Foi acordar de manhã e ver o sol a brilhar e preparar-me para o Sim de uma vida. Foi sermos imensamente felizes com a família e os amigos. Foi deitar-me exausta, com a sensação de ter vivido aquilo que sonhara, num simples piscar de olhos.
Foi passarmos a noite de núpcias no Douro e acordar durante a noite sob um manto de estrelas, que julgo nunca ter visto igual.  Foi te queixares de nunca veres estrelas cadentes, e veres uma naquele preciso instante.
Foi voarmos para o outro lado do mundo e descobrir um pedaço da Ásia, um sonho realizado. Foi ir e voltar e agora pensar "Fomos mesmo a Tailândia!".
Foi usufruir de mais momentos em família, antes de mais uma temporada de trabalho. Foi sentir ainda mais que temos de viver o agora, porque ele pode tornar-se tão especial e único, mas também tão fugaz. Foi constatar que sou feita de saudade, pois guardo no peito os melhores momentos com imensa paixão.
Cada Verão tem uma história, e este verão teve sem dúvida uma das melhores: a nossa!
22
Jun18

Meia década debaixo do mesmo teto

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Precisamente há cinco anos, depois de festejarmos o aniversário do teu pai na véspera, embarcamos no mesmo avião com destino ao início de uma vida a dois.

Com a cabeça repleta de questões e o coração ansioso, encaramos o desconhecido sem medos, pois sabíamos que juntos conseguiríamos de qualquer maneira.

Assim que aterramos e recuperamos as bagagens que traziam consigo recordações de uma vida, fomos até ao apartamento que eu conseguira alugar com a ajuda de uma colega, semanas antes da tua chegada. O apartamento estava longe de ser um luxo e ele encontrava-se totalmente despido, pelo que quando entramos porta dentro viste chegar uma nova página na tua vida, na nossa vida.

Depois de largar as malas, fomos fazer algumas compras ao supermercado, e ao fim deste primeiro dia tive de ir trabalhar para mais um turno noturno. Ficaste só naquele apartamento que ainda não sentíamos como nosso.

Enquanto esperamos que a nossa mobília chegasse, vivemos os dois em modo campismo. Dormimos num velho colchão emprestado e fizemos refeições sentados em caixas de cartão. Quando olhávamos para nós em modo campistas, eu dizia-te "Deixa lá, um dia isto serão recordações que poderemos contar e rir!".

Os móveis finalmente chegaram e aquele lugar tornou-se um pouco mais parecido com um lar. Vivemos naquele apartamento durante aproximadamente um ano, para depois nos mudarmos para aquele onde ainda hoje nos encontramos.

Sei o quanto foi um choque de emoções para ti, o início da nossa vida a dois. Mudar de casa, adaptar-te a um novo país, e sobretudo à região parisiense que parece ter todos os países reunidos, aprenderes uma nova língua, procurares trabalho fora da tua área, os primeiros desentendimentos de viver a dois, entre outros. Sei o quanto te doeu aquela primeira noite, e toda esta nova realidade. Sei disso e muito mais. Sei sobretudo que foi das maiores provas de amor que me deste. Largares tudo para te juntares a mim, e sermos um nós debaixo do mesmo teto.

24
Mar18

Saudades de Roma e da Primavera

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Pensar que há um ano estava a passear nas ruas da cidade eterna e a apaixonar-me pelos gelados italianos, traz-me muita saudade. Mas também tenho imensa saudade da Primavera que já se fazia sentir, com temperaturas acima dos vinte graus. Este ano a Primavera estreou-se com flocos de neve, e os casacos quentes ainda não foram arrumados. Sinto que o inverno nunca mais acaba!

31
Dez17

Dois mil e dezassete

Dois mil e dezassete foi um ano repleto de emoções. Emoções daquelas que apertam o coração até não sobrar quase nada. Emoções que nos fazem olhar para a vida e ver o quanto ela é preciosa.

Foi começar o ano com uma das melhores amigas, criando uma das passagens de ano mais memoráveis de sempre. Foi Portugal em Março onde decidimos a data do nosso enlace, e onde me despedi para sempre do meu companheiro de quatro de patas. Foi viajar à cidade eterna de Roma. Viagem que confirmou a minha paixão por Itália. Foi receber uma das notícias mais felizes de sempre, de uma forma menos boa: a gravidez de risco da minha irmã. Foi Coldplay em Julho, no meio de tanto calor, magia e emoção. Inesquecível. Foi a longa espera pelas férias de verão. Foi voltar ao lar doce lar e sentir a ausência do meu patudo naquele jardim, mas sentir a presença do sobrinho na barriga da minha irmã. Foi o batizado do pequeno Gui, onde reencontramos a família do coração e nos divertimos. Foi viajar para Tenerife com os amigos, que se revelaram das melhores companhias de sempre. Tantos momentos que ficarão gravados, foi sem dúvida uma experiência única. Foi passear em Aveiro com a mana, andar de moliceiro e comer as deliciosas tripas. Foi ganhar coragem e tatuar a saudade e na mesma noite ouvi-la cantada por Mariza. Ansiava há tanto ouvi-la, que não poderia ter sido em melhor dia. Foi receber os pais em Outubro para o batizado do meu sobrinho Théo. Tão bom tê-los cá, mesmo que tão fugazmente. Foi realizar o Baby Shower do futuro sobrinho, e despedir-me da minha irmã desejando-lhe uma hora pequenina. Foi Amesterdão com os amigos, casa de Anne Frank, Red Light, Space Cakes e um nevão que nos mandou voltar para Paris. Foi voar para Portugal a 31 de Dezembro e ver que o pequeno estava decidido a nascer em 2018.

Dois mil e dezassete foi ler muito, voltando aos bons hábitos de leitura. Foi correr os meus primeiros dez quilómetros, dois quais tanto me orgulho. Foi começar a organizar o casamento. Foi chorar, muito. Lágrimas de saudade. Foi viajar, e sentir que a viagem é a uma religião que quero abraçar. Foi crescer e sentir-me diferente. Foi apreciar as coisas mais simples da vida. Foi acreditar, e não perder a esperança. Foi crer que há algo que nos transcende e que nos conforta. Foi tudo isto e tanto mais. Foi um ano memorável, com a convicção que dois mil e dezoito também o será!

20
Jan17

Dois mil e dezassete, estou pronta!

Ainda numa de deixar registado momentos felizes com os quais a vida me tem brindado, hoje venho fazer uma pequena retrospectiva do ano que ficou para trás. Dois mil e dezasseis foi um ano muito feliz, apesar de alguns contratempos, não me posso queixar. Este começou da melhor forma possível, junto dos nossos em Portugal, o que só podia ser um bom presságio para o novo ano. Marcado por momentos repletos de amor, momentos de descoberta e outros de completa euforia, 2016 tornou-se num ano memorável.

O Baby Shower da primeira amiga grávida, e o nascimento do pequeno Guilherme tão ansiado. O casamento do meu irmão, um dia tão bonito. O concerto do David Guetta e dos Muse na Tour Eiffel, inesquecível. O Euro 2016, vivido tão de perto. Orgulho, fomos campeões! Comecei a correr, o que prova que nada é impossível. Visitei a nossa maravilhosa Lisboa, várias cidades da Normandie e Bretagne em França, passei férias em Mallorca e estive na Alemanha, Holanda, Bélgica e França num único dia! Eu e ele deixamos de ser namorados após dez anos juntos, com um pedido em forma de marcar a década, passando a ser noivos! Encerramos o ano passando o Natal junto dos nossos, no nosso adorado país.

Estes foram os momentos mais felizes vivenciados no ano que para trás ficou, pelo que foi com uma certa saudade que virei a página dois mil e dezasseis, numa passagem de ano completamente diferente do habitual com uma das melhores amigas. Só eu e ela, com música e muito rosé demos as boas-vindas a dois mil e dezassete da melhor maneira: a dançar como se não houvesse amanhã! Dois mil e dezassete estou pronta a viver coisas novas, sorrir muito e ser mais que feliz! 

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