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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

22
Out19

O vestido

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O meu vestido de noiva faz parte das melhores recordações que ficaram do nosso casamento. Dou por mim cheia de saudade, quando vejo um casamento em algum filme ou programa de televisão. Fico com vontade de voltar a vesti-lo e sentir-me como naquele dia. Vestida de branco, tule e renda, sentia-me linda por fora mas sobretudo por dentro. Apesar do comprimento do vestido, do saiote, do imenso véu e dos enormes saltos de doze centímetros, sentia-me leve. Leve e imensamente feliz.

07
Ago19

Aquele mês de Agosto

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Não fosse eu ser uma pessoa feita de saudade, era mais que previsível este aperto no peito nesta altura do ano. O mês de Agosto de 2018 foi sem sombra de dúvida, o Agosto mais intenso da nossa vida. Por esta altura andávamos na azáfama dos preparativos de um dia, que ainda mal sonhávamos, o quão único ele se tornaria. Foram dias cansativos que suportamos sem nenhum queixume, pois estávamos felizes e ansiosos. Dá para voltar àquele mês de Agosto?

31
Dez18

Dois mil e dezoito

O ano começou na esperança de acolher um novo e tão desejado membro da família, o meu terceiro sobrinho e primeiro filho da minha irmã. Por alguns percalços nos seus primeiros minutos de vida, só o consegui ver no dia seguinte ao seu nascimento. Vi-o pela primeira vez dentro de uma incubadora, cheia de gratidão, tocando-o fugazmente antes de apanhar mais um voo para longe dele.
Em Fevereiro chegaram os meus 29 anos. Dois dias depois de festejar o último aniversário da década dos vintes, sofri muito com a distância. Dói não estar perto dos nossos nas ocasiões especiais, mas dói bastante mais quando algo de grave acontece e não podemos fazer nada. É uma impotência total. Enchi-me de fé e esperança para que o coração do meu pai, que lhe pregou uma partida, recuperasse. Felizmente recuperou.
Outro coração que apenas será curado com o tempo, é o do meu irmão. O sonho de uma família para a vida toda, terminou. Coisas da vida, que pensamos só acontecer aos outros. Foi um período difícil e atribulado, e que ainda o continua a ser. Um período que me fez passar a ser a irmã mais velha, e não a mais nova, o que sem dúvida me fez crescer. 
Entre tantos corações frágeis, os preparativos para a união oficial do meu coração ao do meu noivo, foram-se concretizando ao longo do ano até à véspera do grande dia. Dissemos sim perante Deus e as nossas famílias, num dia tão especial e memorável. Que tamanha saudade, de um dia de partilha de pura felicidade. E o que de melhor para fazer perdurar a felicidade, senão viajando? Voamos para a Ásia em lua de mel, para um destino tantas vezes sonhado, a Tailândia. Foram dias de descoberta, aventura e de confirmar ainda mais o quanto sou apaixonada pelo mundo.
Despedimos-nos de Agosto com a sensação de ter sido o verão das nossas vidas, o verão com uma das mais belas histórias. Sim uma, pois desejo muitas mais, tão ou mais belas, durante a caminhada que escolhemos viver juntos.
Após tantas emoções, voltei à rotina com alguma dificuldade, entrando num período de uma espécie de "calma após a tempestade", o que me levou a uma fase de introspeção, e no qual ainda me julgo encontrar. É bom olharmos para dentro de nós mesmos e pensar naquilo que realmente nos faz feliz, mas encontrar as respostas que precisamos nem sempre é evidente. Senti então a necessidade de sair um pouco desta rotina trabalho-casa-trabalho que rapidamente se instala, e conhecer mais um sítio novo. Brugge foi a escolhida, num fim de semana frio que nos encheu de espírito natalício em mais um findar de ano.

Poderia resumir dois mil e dezoito numa só, única e importante palavra, família, pelo que foi com ela que fui ter no último dia do ano. Voei para junto deles de forma a entrar em dois mil e dezanove da melhor forma possível, desejando com toda a força que o novo ano me traga a felicidade através das respostas que eu preciso.

06
Nov18

A Nossa Vez

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Acordei pensando "É hoje!". O dia começou de forma normal, sem ti ao meu lado, visto termos passado esta última noite a sós. Tomei o pequeno-almoço, fui buscar as flores e ainda dei uma arrumadela à casa, coisas normais do quotidiano, num dia que tinha tudo para ser fora do comum.
A maquilhadora e a cabeleireira foram as primeiras a aparecer em casa. De armas e bagagens, foram-se instalando para me transformarem numa princesa. Fomos conversando serenamente de tudo e de nada. Confidenciaram-me que estavas tranquilo quando te viram momentos antes, o que me surpreendeu, por seres de natureza um pouco nervoso.
Assim que elas terminaram, eu já só queria vestir o vestido. Esperei pelas damas de honor, e por momentos senti uma ponta de stress aparecer. Duas delas acabaram por chegar, e sem mais demoras vestiram-me num misto de alegria e emoção. Corri receber os meus convidados, e entre beijos, abraços e fotografias a derradeira hora chegara.
Entrei no carocha branco dos anos 60 com os meus dois anjinhos, e lá fomos nós em direção à igreja. Entre o espanto de um em andar num carro sem cinto, e o choro de outro por o carro ter tido dificuldade a pegar, houve um momento em que fui invadida por uma enorme emoção. Aquele era o momento.
Assim que chegamos, o meu pai veio buscar-me ao carro para me acompanhar ao altar. A magnífica Ave Maria de Schubert estava a ser cantada quando entrei na igreja, a qual deixei de ouvir assim que comecei a ver os rostos familiares que foram surgindo à minha frente. Acabei presa no teu olhar e no teu melhor sorriso.
Com muita emoção e um pouco de nervos à mistura, a cerimónia decorreu melhor que o esperado. O sacramento do matrimónio, as leituras lidas pelas melhores, o rito judaico e uma declaração de gratidão dirigida aos nossos pais. Não faltaram os sorrisos, as lágrimas, os risos e até as palmas.
Saímos da igreja cobertos pelo meu véu rendado, sobre um manto de capas negras, debaixo de uma chuva de arroz e purpurinas. Beijos, abraços e mil desejos de felicidade. A festa ainda ia no início e os comentários sobre estar tudo a ser magnífico já se faziam ouvir.

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