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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

10
Jun19

Foco Força Fé

Foco, força e fé, foi aquilo que interiorizei na minha mente assim que meti os pés no caminho que decidi fazer há mais de um ano. Sem mais desculpas ou adiamentos, escolhi este dia, pois se não fosse agora, quando seria?
Pouco antes das cinco da manhã, saí de casa carregada de motivação, com um único medo: não conseguir chegar ao meu destino.
Rapidamente os primeiros obstáculos foram surgindo. Estradas repletas de curvas, sem um único passeio, onde o risco de atropelamento era constante. A chuva, a qual foi a maior inimiga deste percurso, pois sem ela os meus pés não teriam ficado molhados, e seriam bem menos martirizados. As primeiras bolhas acompanhadas das primeiras dores, as quais eram amenizadas com as mudanças de solo ou inclinação. Nunca pensei venerar subidas. Quase podia sentir os meus olhos a brilhar quando via uma estrada ou trilho a subir. As descidas, as quais também nunca pensei odiar tanto. Principalmente a última. Suspiro cada vez que a relembro, de tão dura que foi.
Estes não foram meros obstáculos. Foi sofrimento. Foi mandar palavrões ao ar. Foi perder a paciência para os que me acompanhavam. Foi tentar abstrair-me da dor, pensando no sofrimento dos outros. Foi pedir ajuda a Deus. Foi ter vontade de chorar, tal era o desconforto e dor, mas respirar bem fundo e continuar. Foram contrariedades que se demonstraram verdadeiras provas. E quando superamos provas somos sempre recompensados de alguma forma, e aqui não foi exceção. Foi sair de casa de mão dada com o marido, de sorriso confiante no rosto, e aquele friozinho na barriga. Foi ouvir o acordar dos pássaros pela manhã. Foi sentir o cheiro da chuva. Foi apreciar a calma e silêncio de alguns lugares, onde nos cruzamos só com animais. Foi redescobrir o poder da música, e o quanto ela nos pode abstrair. Foi caminhar em jeito de dança, e cantar em plenos pulmões no meio do nada. Foi o meu pai juntar-se a nós nos últimos quilómetros, os mais difíceis, e mesmo com dúvidas me dar força para continuar. Foi, em momento algum, pensar em desistir. Foi sentir-me grata por tudo o que tenho na vida. Foi chegar finalmente ao destino, entrar na igreja e desabar em lágrimas, tal era a exaustão. Foi a bela sensação de dever cumprido.
E tudo isto porquê? Porque em determinado momento da vida, prometi fazê-lo. Não que seja devota, muito menos praticante da religião na qual fui educada, mas gosto do lado espiritual das coisas. Gosto da magia de crer que há algo invisível, à qual nos podemos agarrar nos momentos mais difíceis da vida. Algo que nos conforta. Algo que nos acalma em tempos de tempestade. Algo que na mais pura das verdades, é a nossa força interior. Porque se virmos bem, nós somos deuses de nós mesmos, basta acreditar.

Caminhada a São Bento da Porta Aberta, 4 de Junho de 2019, 42km.

18
Abr19

Maeklong Railway Market

Encantados com o lado espiritual da Tailândia, acordamos para mais um dia de descoberta desta vez fora da capital. No roteiro deste dia estava programado conhecermos o famoso mercado flutuante, pelo que estávamos mais que entusiasmados. Partimos do hotel na companhia de um motorista e de uma guia, desta vez inglesa.

Inicialmente pensamos que iríamos buscar mais pessoas, mas acabámos por chegar à conclusão que iríamos ser apenas nós naquela excursão. Confesso que estranhamos um pouco, para não dizer bastante, sermos apenas dois turistas numa carrinha que dava para mais de sete pessoas, com tantos quilómetros pela frente. Fizemos mil e um filmes na nossa cabeça, desde sequestro a tráfico de órgãos! A verdade é que para além de termos tido um dia espetacular, tivemos do nosso lado a guia mais simpática e generosa de sempre. A nossa mente às vezes vai longe demais!

Durante o trajeto, no qual pensávamos estar a ir para o Floating Market, descobrimos que passaríamos primeiro no Maeklong Railway Market, um mercado não incluído no roteiro, e que estávamos com imensa pena de não conhecer. Escusado será dizer que o entusiasmo só aumentou!

Começamos então a aventura deste dia a mais de 70 quilómetros de Bangkok, mais precisamente em Samut Songkhram, sentados num bar colado a uma linha férrea, com vista para o mercado que se desenrolava ali mesmo. Pedi um smoothie de maracujá, enquanto aguardamos pela passagem do comboio.

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O Maeklong Railway Market é um mercado que acontece em plena linha férrea, a qual continua operacional. Tudo isto tem o seu lado insólito e surreal, por isso dá para imaginar a excitação que estávamos a sentir naquele momento, certo?

Enquanto esperamos, saboreámos as nossas bebidas, trocamos dois dedos de conversa com a nossa guia e eu deliciei-me com um doce feito com côco, que o dono do bar me ofereceu.

Assim que a hora do comboio se aproximou, começou todo o frenesim à volta da sua passagem. O levantar dos toldos, o afastar da linha férrea, e todos os tipos de máquinas fotográficas prontas a captar o momento. Algo sem dúvida diferente, e que estávamos prestes a ver ao vivo e a cores.

O comboio foi-se aproximando lançando as suas típicas buzinadelas, e a admiração foi sendo cada vez maior quanto mais perto ele estava de nós. Num momento ele abrandou um pouco e os motoristas foram brindados com bebidas, enquanto que os passageiros ganharam sorrisos e acenos de mão.

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06
Nov18

A Nossa Vez

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Acordei pensando "É hoje!". O dia começou de forma normal, sem ti ao meu lado, visto termos passado esta última noite a sós. Tomei o pequeno-almoço, fui buscar as flores e ainda dei uma arrumadela à casa, coisas normais do quotidiano, num dia que tinha tudo para ser fora do comum.
A maquilhadora e a cabeleireira foram as primeiras a aparecer em casa. De armas e bagagens, foram-se instalando para me transformarem numa princesa. Fomos conversando serenamente de tudo e de nada. Confidenciaram-me que estavas tranquilo quando te viram momentos antes, o que me surpreendeu, por seres de natureza um pouco nervoso.

Assim que elas terminaram, eu já só queria vestir o vestido. Esperei pelas damas de honor, e por momentos senti uma ponta de stress aparecer. Duas delas acabaram por chegar, e sem mais demoras vestiram-me num misto de alegria e emoção. Corri receber os meus convidados, e entre beijos, abraços e fotografias a derradeira hora chegara.
Entrei no carocha branco dos anos 60 com os meus dois anjinhos, e lá fomos nós em direção à igreja. Entre o espanto de um em andar num carro sem cinto, e o choro de outro por o carro ter tido dificuldade a pegar, houve um momento em que fui invadida por uma enorme emoção. Aquele era o momento.
Assim que chegamos, o meu pai veio buscar-me ao carro para me acompanhar ao altar. A magnífica Ave Maria de Schubert estava a ser cantada quando entrei na igreja, a qual deixei de ouvir assim que comecei a ver os rostos familiares que foram surgindo à minha frente. Acabei presa no teu olhar e no teu melhor sorriso.
Com muita emoção e um pouco de nervos à mistura, a cerimónia decorreu melhor que o esperado. O sacramento do matrimónio, as leituras lidas pelas melhores, o rito judaico e uma declaração de gratidão dirigida aos nossos pais. Não faltaram os sorrisos, as lágrimas, os risos e até as palmas.
Saímos da igreja cobertos pelo meu véu rendado, sobre um manto de capas negras, debaixo de uma chuva de arroz e purpurinas. Beijos, abraços e mil desejos de felicidade. A festa ainda ia no início e os comentários sobre estar tudo a ser magnífico já se faziam ouvir.

17
Out18

Adeus vida de solteira

A três dias de dar o nó, passei uma noite praticamente em branco devido ao stress dos últimos pormenores a tratar. Levantei-me da cama com o pior humor de sempre, e assim que descobri uma borbulha na minha cara, senti que definitivamente os astros não estavam alinhados a meu favor! Decretei naquela manhã que não iria até ao Gerês aproveitar o feriado com os amigos, algo que tínhamos combinado na véspera.

As amigas resolveram aparecer em casa insistindo para eu sair, até que deitada na cama, tal e qual uma criança, desatei a chorar desalmadamente. Elas nunca me tinham visto naquele estado, pelo que acabaram por me dizer que estavam ali para a minha despedida de solteira! Enxaguei as lágrimas e com alguma vergonha, aprontei um saco e obedeci.

Assim que chegamos ao destino e vi a minha irmã, duas primas e as minhas melhores amigas, o meu mau humor sumiu por completo. A partir daquele momento decidi que iria aproveitar ao máximo junto delas.

Em pleno ambiente de natureza apanhamos sol, demos um mergulho e partirmos as nove a aventura. Equipada de um véu, um tutu lilás, e de uma venda nos olhos fui guiada pela floresta por dois cavalheiros. Caminhei numa ponte suspensa completamente às escuras, e assim que me tiraram a venda vi o que me esperava: bem acima das árvores, eu teria de saltar.

Com bastante medo, mas com o incentivo delas bem lá em baixo, saltei. Saltei, gritei e libertei-me. Libertei-me do medo, do stress e da minha vida de solteira! Depois disto senti-me pronta para tudo!

Realizamos outras atividades em conjunto, onde as fobias de algumas foram ultrapassadas e passamos uma tarde bastante divertida, mas também cansativa. Foi com grande satisfação que fomos para o restaurante em forma de chalé ao fim do dia, onde um jantar bastante divertido nos aguardava. Comida, bebida, risos, conversas atrevidas e polaroides. Daqui já só quis acabar a noite a dançar, pelo que as melhores amigas concretizaram o meu desejo, levando-me à discoteca dos meus tempos de estudante onde esgotei o meu stock de energia dançando!

Acordei na manhã seguinte com uma certa dose de ressaca, mas com uma dose ainda maior de gratidão por ter tido um dia tão espetacular e feliz graças a pessoas tão especiais!

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26
Jul18

Enterrar a vida de solteiros

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Cada vez mais perto do grande dia, começamos no passado sábado a enterrar a nossa vida de solteiros! Sendo o último fim de semana livre antes de voar até Portugal, fomos convidados para mais uma jantarada com os amigos. Com o tempo de verão que tem estado e o cheirinho a férias que se começa a fazer sentir, lá fomos nós mais que entusiasmados para mais um convívio.

Mal chegamos fomos logo recebidos com shots, que foram o brinde inicial da festa surpresa que nos esperava! Entre balões em forma de coração, luzinhas, fotografias dos nossos melhores momentos e a música, confesso que quase soltei uma lágrima. 

A partir daqui a noite desenrolou-se de forma bastante divertida, onde fomos postos à prova com várias brincadeiras, e mesmo com algum álcool à mistura acho que nos safamos bastante bem!

Desta surpresa resultaram alguns vizinhos chateados com o barulho, hematomas nas minhas pernas, uma camada de sono no dia seguinte, mas principalmente momentos repletos de risos e sorrisos! Não me canso de agradecer à vida por me ter dado amigos assim, tão especiais!

26
Fev18

Vinte e nove

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Os vinte e nove chegaram no passado dia vinte e dois. É incrível como os anos passam cada vez mais rápido, mas mais incrível é sentir que o meu espírito jovem se mantém! A data foi celebrada com os amigos, aqueles a quem chamo de segunda família, porque é isso mesmo que eles têm sido nos últimos anos. Uma família que se criou fruto da distância do nosso país e daqueles que amamos, resultando numa tão bela amizade. Como é que em mais um ano não posso estar grata daquilo que a vida me oferece? Obrigada vida, vamos aproveitar este último ano dos vintes!

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