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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

14
Abr19

Pontos vazios no mapa

"Havia certo romantismo no desconhecido, mas, depois que um local era descoberto, catalogado e mapeado, era diminuído, virava apenas mais um fato empoeirado em um livro, tinha seu mistério diluído. Então talvez fosse melhor deixar alguns pontos vazios no mapa. Deixar que o mundo preservasse um pouco de sua magia, em vez de obrigá-lo a revelar até seu último segredo. Talvez fosse melhor se surpreender de vez em quando."

(Ransom Riggs, Biblioteca de almas)

28
Jan19

Mensagem do Além

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Comecei o ano de dois mil e dezanove desejando encontrar respostas às questões que me coloco sobre o meu futuro. Ontem em mais um turno de trabalho encontrei uma mensagem num sítio bastante improvável. Fiquei ainda mais estupefacta quando a li com mais atenção já em casa. Confesso que acabei por me rir interiormente, talvez até de nervoso miudinho, pelas palavras se adequarem bastante a mim. 

 

"Ter um objetivo na vida é o único objetivo a procurar bem. Não o encontramos nos países longínquos, mas no próprio coração. Onde há vontade, há caminho."

 

03
Set17

O Lar da Senhora Peregrine para Crianças Peculiares

Conheci pela primeira vez os Peculiares no trailer do filme que ia estrear no cinema. Despertou-me o interesse por ser mais um filme do Tim Burton, mas foi quando descobri que se tratava de uma trilogia de livros adaptada ao grande ecrã que fiquei ainda mais curiosa!

Encontrei os livros por acaso à venda num hipermercado, e depois de folhear algumas páginas fiquei logo com vontade de descobrir o enredo desta aventura. Uma aventura que leva Jacob a conhecer uma ilha misteriosa onde se encontram as ruínas do lar para crianças peculiares, que o seu avô tanto lhe falou antes de morrer. Ao explorar as ruínas, Jacob descobre bem mais do que uma simples casa abandonada...

Lancei-me no primeiro livro da trilogia escrita por Ransom Riggs, e só parei no terceiro e último! Os Peculiares foram a minha companhia nos últimos tempos, e foram muitas as noites em que adormeci a ler mais uma página, mais um pedaço de magia. Não me lembrava de ler um livro de fantasia, pois leio sempre romances com histórias bem reais. Adorei mergulhar num mundo tão diferente, especial e peculiar.

Quanto à adaptação ao cinema do primeiro livro, confesso que me desiludiu. Adoro Tim Burton, mas além de na nossa imaginação ser tudo muito mais fantástico, fiquei um pouco decepcionada com as alterações que fizeram em determinadas personagens. Para os amantes de leitura como eu, as adaptações ao cinema dificilmente nos encantam!

  

"Tudo em que podia pensar era que avôs deviam morrer em camas, em lugares brancos e tranquilos..."

 

"Em minha visão, quando se trata das coisas realmente importantes da vida não existem acidentes. Tudo acontece por uma razão."

  

"Mas não dá para se sentir mal o tempo todo, quis dizer. Rir não piora as coisas, assim como chorar não as melhora. Não significa que você não se importe ou que tenha esquecido. Só quer dizer que você é humana."

  

"Talvez muitas pessoas passem pela vida sem jamais saber que são peculiares."

 

"Nunca ninguém nos machuca tanto quanto as pessoas que amamos."

 

"Mas agora você está fazendo promessas que talvez não consiga cumprir, e é assim que pessoas apaixonadas se machucam muito."

 

"E me ocorreu, ali parado, só respirando com ela, o silêncio caindo à nossa volta, que aquelas podiam ser as duas palavras mais lindas do mundo. Temos tempo."

30
Ago17

Privilegiada

Nas minhas últimas férias em Portugal no mês de Março, o regresso foi um dos mais difíceis para mim. Vim embora com um nó na garganta depois de dizer adeus ao meu companheiro de quatro patas, pois a esperança de o voltar a ver era muito reduzida.

Voltei à rotina do dia a dia, e ao poucos a minha mãe foi-me preparando para o desfecho que eu temia. Entre várias chamadas telefónicas, perguntei-lhe como é que ele andava. Depois de ter reunido a sua coragem a minha mãe disse-me que ele tinha adormecido, para sempre. Instantaneamente as lágrimas encheram os meus olhos. 

Ele já tinha partido há cerca de uma semana quando conseguiram contar-me, pois não sabiam como haviam de me dar a notícia, sabendo o quanto eu amava aquele pequeno. Pequeno que eles também amavam, pois também foi com uma grande mágoa que disseram adeus a este patudo que era parte da família. Ele deixou-nos exactamente uma semana depois de eu me ter despedido dele, o que parece ser coincidência e me faz crer que ele esperou por mim para partir.

A primeira semana após a confirmação foi dura, pois chorei a cada vez que me lembrava dele. Além das lembranças, surgiram os sonhos. Sonhei muitas vezes com ele, e acredito que alguns desses sonhos estão cheios de significado.

Hoje passados cinco meses, a dor já desvaneceu um pouco, porém não sei o que será de mim daqui a uma semana. Voltarei a entrar pelos portões da casa dos meus pais e não o irei encontrar. Dói-me só de imaginar o vazio que vou sentir, e saber que naquele jardim repousa um animal que representava o melhor de mim.

O Ricky faria 16 anos em Setembro, pelo que há 16 anos iniciei uma das mais belas amizades da minha vida. Sinto-me privilegiada por ter partilhado a vida e ter amado um animal desta forma.

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 "Os animais dividem connosco o privilégio de terem uma alma."

(Pitágoras)

30
Abr17

Despedida difícil

Assim que cheguei a Portugal, e como sempre acontece a cada vez que regresso ao meu lar, procurei pelo meu pequeno. Fiquei surpreendida ao constatar que ele estava mais magro, mesmo estando consciente da idade avançada dele. Ainda que cansado, abatido e com uma tosse que denunciava o seu coração cansado, ele lá se alegrou abanando o seu rabiosque em jeito de brincadeira.

Durante as férias mimei-o, brinquei com ele, partilhei com ele o croissant do meu pequeno-almoço, e acalmei-o nos meus braços quando a tosse lhe aparecia. Porém os dias foram voando, chegando o último...

Nesse último dia mimei-o mais uma vez em jeito de despedida, e instantaneamente comecei a chorar. Envolvi-o no pijama ainda quente que tinha usado durante as férias, enchi-o de beijos, tirei-lhe uma última fotografia e vim embora com o coração a doer.

Entrei no carro em direcção ao aeroporto, com um nó na garganta. Já no avião o coração continuava a doer, e quando este levantou voo foi inevitável, as lágrimas cederam e inundaram-me o rosto. Senti naquele instante que me despedia para sempre do meu companheiro de quatro patas.

Quando cheguei a Paris liguei para casa para avisar que chegara bem, apesar de triste. Sabia no fundo de mim que tinha sido a última vez que tinha visto o meu cão. A minha mãe disse para não pensar nisso, que eu ainda o voltaria a ver. Acabámos as duas a rir dizendo que ele ainda iria ao meu casamento. Apesar de ela me tentar confortar, o meu coração continuou apertado pois eu tinha quase a certeza que aquela tinha sido a derradeira despedida.

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"Nossos animais de estimação têm a vida tão curta e, ainda assim, passam a maior parte do tempo esperando que voltemos para casa todos os dias."  

(John Grogan em Marley e Eu)

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