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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

07
Ago19

Aquele mês de Agosto

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Não fosse eu ser uma pessoa feita de saudade, era mais que previsível este aperto no peito nesta altura do ano. O mês de Agosto de 2018 foi sem sombra de dúvida, o Agosto mais intenso da nossa vida. Por esta altura andávamos na azáfama dos preparativos de um dia, que ainda mal sonhávamos, o quão único ele se tornaria. Foram dias cansativos que suportamos sem nenhum queixume, pois estávamos felizes e ansiosos. Dá para voltar àquele mês de Agosto?

13
Dez18

Lua de mel asiática

A lua de mel foi o momento mais aguardado do ano, ao mesmo par que o nosso enlace. Marcada desde Janeiro, a verdade é que pessoalmente não pensei demasiado nesta viagem no meio de tantos preparativos de um casamento realizado em Portugal. Porém, esta era uma viagem com um destino há muito sonhado, e o primeiro lugar mais longe viajado por nós. Com partida marcada dois dias depois do casamento, foi na véspera que me mentalizei a sério que em menos de 24 horas iríamos viajar para a Ásia.

De malas prontas e dois corações em pulgas, embarcamos no primeiro voo que nos levou à Turquia onde realizamos escala. Durante 4 horas deliciamos-nos com as paisagens vistas do avião, onde conseguimos distinguir Mallorca, Itália e as imensas mesquitas de Istambul. A viagem foi tranquila, e já só pensávamos no próximo voo, com mais do dobro das horas.

Assim que aterramos, pelos vistos já atrasados, corremos em direção à zona de embarque do voo com destino a Bangkok. Mais um bocado de excitação, por sabermos que estávamos a um passo de chegar ao destino, mesmo que ainda tivéssemos 10 horas pela frente!

A viagem correu bem, e não custou assim tanto como pensávamos. Entre as refeições a bordo, ver filmes e dormir finalmente aterramos no destino: Tailândia! 

Começamos pela capital, Bangkok, onde chegamos ao hotel na companhia de uma família portuguesa. Largamos tudo no quarto com vista para a cidade, e pusemos os pés na rua onde o nosso destino era simplesmente nos fundirmos na confusão de Bangkok. Deparamos-nos com ruas repletas de gente, diferentes sabores e odores. Centenas de cabos de eletricidade emaranhados, assim como os carros, motas e tuk tuk a circular. Um calor húmido, num céu cheio de nuvens e poluição que acabou numa chuva torrencial, com a qual fomos brindados logo no primeiro dia.

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Por aqui passamos três dias onde além das ruas que percorremos dia e noite, conhecemos vários templos, andamos de barco e tuk tuk, provamos a gastronomia, descobrimos diversos mercados típicos da Tailândia, falamos com tailandeses e encontramos muitos portugueses, entre tantas outras coisas que encheram a nossa alma. Ao fim destes três dias adotamos o gesto de unir as mãos como algo automático que gerava sempre um sorriso.

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11
Nov18

Núpcias no Douro

O dia após nos casarmos é ambíguo no que toca a sentimentos. Por um lado estamos com o coração farto de amor e felicidade, mas por outro sentimos um certo vazio e até uma pequena tristeza, por algo planeado durante meses ter passado num piscar de olhos! Juntando a esta bipolaridade de sentimentos, o cansaço dos últimos preparativos até ao dia em si, fez-se sentir bastante no dia seguinte.

Depois de uma rápida passagem pela quinta, onde ainda haviam vestígios da  nossa festa, fomos em direção ao merecido descanso. Baião foi a nossa escolha, onde nos esperava um quarto de hotel virado para o Douro. 
Assim que lá chegamos aproveitamos a tarde de sol com um mergulho na piscina e um momento de preguiça nas espreguiçadeiras, onde começamos a sonhar com a nossa lua de mel.
Passeamos pelas vinhas presentes no hotel, e depois de um banho quente fomos jantar. Depois de um jantar divinal, não pensava que aquele hotel me pudesse surpreender mais. Tão errada estava eu! O melhor fica para o fim como se costuma dizer. A meio da noite, vim à varanda e vi o céu mais estrelado que alguma vez vi na vida. Um universo repleto de constelações. Acordei o meu agora marido para ver aquele espetáculo deslumbrante. Ele que se queixou que nunca via estrelas cadentes, viu ali mesmo uma a deslizar pelo céu.

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Sem dúvida um cantinho repousante, que se revelou mágico.

06
Nov18

A Nossa Vez

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Acordei pensando "É hoje!". O dia começou de forma normal, sem ti ao meu lado, visto termos passado esta última noite a sós. Tomei o pequeno-almoço, fui buscar as flores e ainda dei uma arrumadela à casa, coisas normais do quotidiano, num dia que tinha tudo para ser fora do comum.
A maquilhadora e a cabeleireira foram as primeiras a aparecer em casa. De armas e bagagens, foram-se instalando para me transformarem numa princesa. Fomos conversando serenamente de tudo e de nada. Confidenciaram-me que estavas tranquilo quando te viram momentos antes, o que me surpreendeu, por seres de natureza um pouco nervoso.

Assim que elas terminaram, eu já só queria vestir o vestido. Esperei pelas damas de honor, e por momentos senti uma ponta de stress aparecer. Duas delas acabaram por chegar, e sem mais demoras vestiram-me num misto de alegria e emoção. Corri receber os meus convidados, e entre beijos, abraços e fotografias a derradeira hora chegara.
Entrei no carocha branco dos anos 60 com os meus dois anjinhos, e lá fomos nós em direção à igreja. Entre o espanto de um em andar num carro sem cinto, e o choro de outro por o carro ter tido dificuldade a pegar, houve um momento em que fui invadida por uma enorme emoção. Aquele era o momento.
Assim que chegamos, o meu pai veio buscar-me ao carro para me acompanhar ao altar. A magnífica Ave Maria de Schubert estava a ser cantada quando entrei na igreja, a qual deixei de ouvir assim que comecei a ver os rostos familiares que foram surgindo à minha frente. Acabei presa no teu olhar e no teu melhor sorriso.
Com muita emoção e um pouco de nervos à mistura, a cerimónia decorreu melhor que o esperado. O sacramento do matrimónio, as leituras lidas pelas melhores, o rito judaico e uma declaração de gratidão dirigida aos nossos pais. Não faltaram os sorrisos, as lágrimas, os risos e até as palmas.
Saímos da igreja cobertos pelo meu véu rendado, sobre um manto de capas negras, debaixo de uma chuva de arroz e purpurinas. Beijos, abraços e mil desejos de felicidade. A festa ainda ia no início e os comentários sobre estar tudo a ser magnífico já se faziam ouvir.

17
Out18

Adeus vida de solteira

A três dias de dar o nó, passei uma noite praticamente em branco devido ao stress dos últimos pormenores a tratar. Levantei-me da cama com o pior humor de sempre, e assim que descobri uma borbulha na minha cara, senti que definitivamente os astros não estavam alinhados a meu favor! Decretei naquela manhã que não iria até ao Gerês aproveitar o feriado com os amigos, algo que tínhamos combinado na véspera.

As amigas resolveram aparecer em casa insistindo para eu sair, até que deitada na cama, tal e qual uma criança, desatei a chorar desalmadamente. Elas nunca me tinham visto naquele estado, pelo que acabaram por me dizer que estavam ali para a minha despedida de solteira! Enxaguei as lágrimas e com alguma vergonha, aprontei um saco e obedeci.

Assim que chegamos ao destino e vi a minha irmã, duas primas e as minhas melhores amigas, o meu mau humor sumiu por completo. A partir daquele momento decidi que iria aproveitar ao máximo junto delas.

Em pleno ambiente de natureza apanhamos sol, demos um mergulho e partirmos as nove a aventura. Equipada de um véu, um tutu lilás, e de uma venda nos olhos fui guiada pela floresta por dois cavalheiros. Caminhei numa ponte suspensa completamente às escuras, e assim que me tiraram a venda vi o que me esperava: bem acima das árvores, eu teria de saltar.

Com bastante medo, mas com o incentivo delas bem lá em baixo, saltei. Saltei, gritei e libertei-me. Libertei-me do medo, do stress e da minha vida de solteira! Depois disto senti-me pronta para tudo!

Realizamos outras atividades em conjunto, onde as fobias de algumas foram ultrapassadas e passamos uma tarde bastante divertida, mas também cansativa. Foi com grande satisfação que fomos para o restaurante em forma de chalé ao fim do dia, onde um jantar bastante divertido nos aguardava. Comida, bebida, risos, conversas atrevidas e polaroides. Daqui já só quis acabar a noite a dançar, pelo que as melhores amigas concretizaram o meu desejo, levando-me à discoteca dos meus tempos de estudante onde esgotei o meu stock de energia dançando!

Acordei na manhã seguinte com uma certa dose de ressaca, mas com uma dose ainda maior de gratidão por ter tido um dia tão espetacular e feliz graças a pessoas tão especiais!

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18
Set18

Cada Verão tem uma história

A história deste verão foi chegar a Portugal em pleno início de Agosto. Foi voltar às Festas Gualterianas os dois, comer um belo de um pão com chouriço e apanhar um peluche nas máquinas, fazendo-nos recordar outros tempos. Foi passear nas ruas de Guimarães e sermos fotografados na cidade onde já deixamos tanto amor em cada recanto. 

Foi estarmos entusiasmados com os preparativos do nosso dia, e já bem perto dele entrarmos em parafuso. Foi treinar a nossa dança na casa que desejamos habitar definitivamente um dia, num chão sujo de arroz e purpurinas. Foi ter um ataque de nervos três dias antes do casamento, e desatar a chorar desalmadamente enquanto as amigas tentavam arrancar-me de casa, e eu recusava. Foi conseguirem convencer-me e me surpreenderem com a melhor despedida de solteira que alguma vez imaginei.

Foi voltarmos ao sítio do nosso primeiro beijo na véspera, e dormirmos sós para nos reencontrarmos já na igreja. Foi acordar de manhã e ver o sol a brilhar e preparar-me para o Sim de uma vida. Foi sermos imensamente felizes com a família e os amigos. Foi deitar-me exausta, com a sensação de ter vivido aquilo que sonhara, num simples piscar de olhos.
Foi passarmos a noite de núpcias no Douro e acordar durante a noite sob um manto de estrelas, que julgo nunca ter visto igual.  Foi te queixares de nunca veres estrelas cadentes, e veres uma naquele preciso instante.
Foi voarmos para o outro lado do mundo e descobrir um pedaço da Ásia, um sonho realizado. Foi ir e voltar e agora pensar "Fomos mesmo a Tailândia!".
Foi usufruir de mais momentos em família, antes de mais uma temporada de trabalho. Foi sentir ainda mais que temos de viver o agora, porque ele pode tornar-se tão especial e único, mas também tão fugaz. Foi constatar que sou feita de saudade, pois guardo no peito os melhores momentos com imensa paixão.
Cada Verão tem uma história, e este verão teve sem dúvida uma das melhores: a nossa!

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