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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

24
Jun19

Partidas

Um dia haveremos de sorrir ao relembrar estas partidas. Partidas tristes, aborrecidas e até enervantes. Partidas onde as malas nunca são suficientes para tudo. Partidas repletas de saudade, que doem menos desde que temos alguém do outro lado. Partidas que não nos cansamos de amaldiçoar, mas que sabemos que nos irão fortificar. Partidas em que as nuvens nos fazem sonhar. Partidas com promessas de voltar.

10
Jun19

Foco Força Fé

Foco, força e fé, foi aquilo que interiorizei na minha mente assim que meti os pés no caminho que decidi fazer há mais de um ano. Sem mais desculpas ou adiamentos, escolhi este dia, pois se não fosse agora, quando seria?
Pouco antes das cinco da manhã, saí de casa carregada de motivação, com um único medo: não conseguir chegar ao meu destino.
Rapidamente os primeiros obstáculos foram surgindo. Estradas repletas de curvas, sem um único passeio, onde o risco de atropelamento era constante. A chuva, a qual foi a maior inimiga deste percurso, pois sem ela os meus pés não teriam ficado molhados, e seriam bem menos martirizados. As primeiras bolhas acompanhadas das primeiras dores, as quais eram amenizadas com as mudanças de solo ou inclinação. Nunca pensei venerar subidas. Quase podia sentir os meus olhos a brilhar quando via uma estrada ou trilho a subir. As descidas, as quais também nunca pensei odiar tanto. Principalmente a última. Suspiro cada vez que a relembro, de tão dura que foi.
Estes não foram meros obstáculos. Foi sofrimento. Foi mandar palavrões ao ar. Foi perder a paciência para os que me acompanhavam. Foi tentar abstrair-me da dor, pensando no sofrimento dos outros. Foi pedir ajuda a Deus. Foi ter vontade de chorar, tal era o desconforto e dor, mas respirar bem fundo e continuar. Foram contrariedades que se demonstraram verdadeiras provas. E quando superamos provas somos sempre recompensados de alguma forma, e aqui não foi exceção. Foi sair de casa de mão dada com o marido, de sorriso confiante no rosto, e aquele friozinho na barriga. Foi ouvir o acordar dos pássaros pela manhã. Foi sentir o cheiro da chuva. Foi apreciar a calma e silêncio de alguns lugares, onde nos cruzamos só com animais. Foi redescobrir o poder da música, e o quanto ela nos pode abstrair. Foi caminhar em jeito de dança, e cantar em plenos pulmões no meio do nada. Foi o meu pai juntar-se a nós nos últimos quilómetros, os mais difíceis, e mesmo com dúvidas me dar força para continuar. Foi, em momento algum, pensar em desistir. Foi sentir-me grata por tudo o que tenho na vida. Foi chegar finalmente ao destino, entrar na igreja e desabar em lágrimas, tal era a exaustão. Foi a bela sensação de dever cumprido.
E tudo isto porquê? Porque em determinado momento da vida, prometi fazê-lo. Não que seja devota, muito menos praticante da religião na qual fui educada, mas gosto do lado espiritual das coisas. Gosto da magia de crer que há algo invisível, à qual nos podemos agarrar nos momentos mais difíceis da vida. Algo que nos conforta. Algo que nos acalma em tempos de tempestade. Algo que na mais pura das verdades, é a nossa força interior. Porque se virmos bem, nós somos deuses de nós mesmos, basta acreditar.

Caminhada a São Bento da Porta Aberta, 4 de Junho de 2019, 42km.

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