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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

11
Nov18

Núpcias no Douro

O dia após nos casarmos é ambíguo no que toca a sentimentos. Por um lado estamos com o coração farto de amor e felicidade, mas por outro sentimos um certo vazio e até uma pequena tristeza, por algo planeado durante meses ter passado num piscar de olhos! Juntando a esta bipolaridade de sentimentos, o cansaço dos últimos preparativos até ao dia em si, fez-se sentir bastante no dia seguinte.

Depois de uma rápida passagem pela quinta, onde ainda haviam vestígios da  nossa festa, fomos em direção ao merecido descanso. Baião foi a nossa escolha, onde nos esperava um quarto de hotel virado para o Douro. 
Assim que lá chegamos aproveitamos a tarde de sol com um mergulho na piscina e um momento de preguiça nas espreguiçadeiras, onde começamos a sonhar com a nossa lua de mel.
Passeamos pelas vinhas presentes no hotel, e depois de um banho quente fomos jantar. Depois de um jantar divinal, não pensava que aquele hotel me pudesse surpreender mais. Tão errada estava eu! O melhor fica para o fim como se costuma dizer. A meio da noite, vim à varanda e vi o céu mais estrelado que alguma vez vi na vida. Um universo repleto de constelações. Acordei o meu agora marido para ver aquele espetáculo deslumbrante. Ele que se queixou que nunca via estrelas cadentes, viu ali mesmo uma a deslizar pelo céu.

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Sem dúvida um cantinho repousante, que se revelou mágico.

06
Nov18

A Nossa Vez

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Acordei pensando "É hoje!". O dia começou de forma normal, sem ti ao meu lado, visto termos passado esta última noite a sós. Tomei o pequeno-almoço, fui buscar as flores e ainda dei uma arrumadela à casa, coisas normais do quotidiano, num dia que tinha tudo para ser fora do comum.
A maquilhadora e a cabeleireira foram as primeiras a aparecer em casa. De armas e bagagens, foram-se instalando para me transformarem numa princesa. Fomos conversando serenamente de tudo e de nada. Confidenciaram-me que estavas tranquilo quando te viram momentos antes, o que me surpreendeu, por seres de natureza um pouco nervoso.

Assim que elas terminaram, eu já só queria vestir o vestido. Esperei pelas damas de honor, e por momentos senti uma ponta de stress aparecer. Duas delas acabaram por chegar, e sem mais demoras vestiram-me num misto de alegria e emoção. Corri receber os meus convidados, e entre beijos, abraços e fotografias a derradeira hora chegara.
Entrei no carocha branco dos anos 60 com os meus dois anjinhos, e lá fomos nós em direção à igreja. Entre o espanto de um em andar num carro sem cinto, e o choro de outro por o carro ter tido dificuldade a pegar, houve um momento em que fui invadida por uma enorme emoção. Aquele era o momento.
Assim que chegamos, o meu pai veio buscar-me ao carro para me acompanhar ao altar. A magnífica Ave Maria de Schubert estava a ser cantada quando entrei na igreja, a qual deixei de ouvir assim que comecei a ver os rostos familiares que foram surgindo à minha frente. Acabei presa no teu olhar e no teu melhor sorriso.
Com muita emoção e um pouco de nervos à mistura, a cerimónia decorreu melhor que o esperado. O sacramento do matrimónio, as leituras lidas pelas melhores, o rito judaico e uma declaração de gratidão dirigida aos nossos pais. Não faltaram os sorrisos, as lágrimas, os risos e até as palmas.
Saímos da igreja cobertos pelo meu véu rendado, sobre um manto de capas negras, debaixo de uma chuva de arroz e purpurinas. Beijos, abraços e mil desejos de felicidade. A festa ainda ia no início e os comentários sobre estar tudo a ser magnífico já se faziam ouvir.

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