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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

26
Nov15

Cantam as nossas almas

No serviço onde trabalho, quando sabemos que um doente faz anos temos a possibilidade de pedir um bolo de aniversário para a hora de almoço. Um gesto simpático para aquelas pessoas que se encontram internadas durante um longo período de tempo, e para aqueles que nem sempre têm visitas, ou mesmo nenhumas. 

No mês passado, uma doente que lá se encontra há um longo período de tempo e a qual é bastante querida, celebrou os seus oitenta e seis anos, e obviamente que não quisemos deixar passar a data em branco.

Com o seu estado de saúde estabilizado em relação aos dias precedentes, convencemos a senhora a ir almoçar com os outros pacientes na sala de refeições, sob o pretexto de ser o seu aniversário e que lhe faria bem ver um pouco outras pessoas. Lá aceitou, sem suspeitar da surpresa que a aguardava.

Ao fim do almoço aparecemos com o bolo e cantamos-lhe os parabéns. Bastante surpreendida, a senhora acabou por largar lágrimas de emoção. E nós continuamos a cantar, tentando esconder a emoção que também sentimos naquele instante.

Um momento tão simples e fácil de proporcionar que preencheu o coração a todos! É tão fácil fazer os outros felizes e sentirmos essa felicidade simultaneamente, não é?

25
Nov15

Falta um mês!

A um mês da celebração mais mágica do ano, o espírito natalício já invadiu a nossa casa. Pelo terceiro ano consecutivo, esta data tão especial será passada longe daqueles que dão o verdadeiro sentido a este dia, a nossa família. No entanto, a ceia de Natal será partilhada com a nossa outra família, os amigos!

Apesar dos últimos acontecimentos terríveis que têm assolado a humanidade, desde sempre fui apaixonada por esta época do ano, pelo que me deixar envolver por este espírito e magia me tem transportado para longe da realidade. 

A época natalícia abriu então oficialmente cá em casa no passado sábado. Agora já só faltam as luzes nas cidades para tudo se tornar perfeito!

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16
Nov15

Imagine

Mais uma vez a França foi alvo de um atentado. Mais uma vez vidas inocentes foram levadas. Mais uma vez o medo se instala.

No dia sete de Janeiro acordei sobressaltada com a notícia dos atentados no Charlie Hebdo, que se seguiram com a fuga dos terroristas e por fim um desfecho fatal no Hyper Casher.

Esse período foi um pouco difícil de viver, em que sair à rua e estar num simples centro comercial me deixavam um pouco desconfortável. Entretanto viajei até Portugal e esses sentimentos de medo e desconfiança desvaneceram...

Na passada sexta-feira, treze de Novembro, enquanto tomava café com os meus amigos portugueses aqui em França, olhei para a televisão e vi a primeira notícia a anunciar um tiroteio em Paris com oito mortos. A partir daí os acontecimentos foram evoluindo, para pior. As notícias começaram a tornar-se cada vez mais alarmantes. Kamikazes, reféns numa sala de concertos, e o número de mortos não parava de aumentar...

No sábado e domingo estive a trabalhar, e é óbvio que não se falava de outra coisa. A convicção de que estamos cada vez mais perto de uma terceira guerra mundial era partilhada por todos.

Hoje encontro-me de folga em casa, e caindo na realidade dos acontecimentos, as lágrimas acabaram por cair. Caíram face às notícias, durante o minuto de silêncio e enquanto ouvia o sino da igreja a tocar calmamente, durante um pequeno mas longo momento. Ás lágrimas, juntam-se os arrepios, arrepios estes que me acompanham desde sexta-feira, a cada notícia que leio ou ouço.

Um cenário horrível aconteceu aqui tão perto, na capital do país que me viu nascer e que me acolheu recentemente. É surreal.

Hoje sinto-me vazia. Vazia de esperança e fé. Tenho o mau pressentimento que isto não vai melhorar, pelo contrário. Se ainda há dias conheci a iniciativa Aylan Kurdi Caravan que me tinha renovado de esperança, na passada sexta-feira senti toda essa esperança ser levada de rompante.

Sempre fui apologista da paz e sempre me senti tocada pelo mal que há no mundo... hoje sinto que ele vai continuar, e quem sabe vencer. 

Já só penso em viver intensamente. A nossa vida é tão efémera e pode ser levada por razões tão incompreensíveis.

No meio disto tudo, não me sai da cabeça a música Imagine do John Lennon, pois sinto que o que nos resta é imaginar...

 

"Imagine there's no countries, it isn't hard to do. Nothing to kill or die for, and no religion too."

(John Lennon)

14
Nov15

Saudade

"Saudade é um sentimento profundo.

Saudade é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos.

Saudade tem rosto, tem corpo, tem nome e sobrenome.

Saudade tem cor, tem cheiro, tem gosto, tem voz, e tem toque.

Saudade é recordação, é lembrança, saudade é emoção.

Saudade é um sentimento do coração que vem da sensibilidade e não da razão.

Saudade é a vontade e aquele desejo que não passa, nunca morre, é a ausência que incomoda e destrói.

Saudade é estar só e ao mesmo tempo estar sempre rodeada de uma presente ausência constante.

Saudade é algo que não tem peso nem medida, é um vazio enorme que só se pode preencher com todas as lembranças, palavras e recordações de momentos.

Saudade é dor, é a nostalgia constante de lembrar e relembrar tudo o que ainda não conseguimos ou não queremos esquecer.

Saudade é amar um passado que ainda não passou.

Saudade é o preço que se paga por viver momentos inesquecíveis com pessoas inesquecíveis.

Saudade não mata mas destrói.

Saudade é a prova de que tudo valeu a pena.

Saudade não se explica, apenas se sente."

 

Joana Torres

12
Nov15

Gestos motivadores

Com a minha mudança de turno no trabalho, do nocturno para o diurno, além de estar mais em contacto com toda a equipa multidisciplinar, estou também mais próxima das famílias dos doentes. Esse facto pode ser bom, quando as famílias são compreensivas, mas por vezes pode ser horrível, quandos estas se acham autênticos senhores doutores e fazem do nosso dia de trabalho um autêntico inferno.

Até hoje, felizmente, tenho lidado com familiares simpáticos. Tão simpáticos que já por duas vezes saio do quarto do doente com uma bonita caixa de chocolates. Gestos como estes enchem-nos de motivação e de ânimo. Chocolate a chocolate, enche a enfermeira o papo!

08
Nov15

Verão de S. Martinho

Este fim de semana esteve um autêntico Verão de S. Martinho! Céu azul, sol e temperatura agradável foram motivo suficiente para meter os pés fora de casa para aproveitar um pouco. Ontem enquanto tratamos de uns assuntos pendentes aproveitamos para conhecer uma nova cidade, enquanto que hoje fomos dar uma bela caminhada, coisa que já começa a tornar-se um hábito aos domingos à tarde. Com um sol tão bonito as típicas cores de Outono ficam ainda mais evidenciadas. 

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 A natureza fica tão bonita nesta época do ano!

02
Nov15

Novembro chegou

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Depois de uma assustadora noite de Halloween passada entre amigos, o primeiro domingo do mês de Novembro foi aproveitado com uma caminhada pela natureza. Nesta altura do ano as florestas e parques estão tão encantadores com as suas folhas caídas por todo o lado. É impossível não nos sentirmos bem num cenário destes e ainda mais impossível é não captar a paisagem com uma fotografia!

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