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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

15
Jul19

Ao Nang

Ao Nang foi a praia onde ficamos hospedados na segunda parte da nossa lua de mel, após a nossa passagem pela capital da Tailândia. Depois de uma hora de voo entre Bangkok e Krabi, chegamos a este cantinho da Tailândia já de noite, o que nos deixou cheios de expectativas. Fomos acompanhados até ao nosso quarto, num misto de excitação e de receio daquilo que nos cercava sem que pudéssemos ver. Um destino desconhecido à noite, com um mar propenso a tsunamis a uns meros 50 metros, e o ruído intenso de insetos e outros animais, pode revelar-se um pouco assustador. Mas no final só aumentou o deslumbramento assim que acordamos na manhã seguinte.

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Situada no sul da província de Krabi, Ao Nang revelou-se um lugar bastante tranquilo rodeado de falésias, floresta, mar e inúmeras ilhas no horizonte. A partir daqui é possível partir à descoberta de um número infinito de pedaços de paraíso, incluindo as famosas ilhas Phi Phi. 

A nossa estadia em Ao Nang teve dias de autêntico dolce far niente, com dias a começar por um pequeno-almoço bem recheado. Aliás, uma das recordações mais relaxantes que guardo, são os pequenos-almoços tomados em frente ao mar de Andamão. Rodeada de paz, o som das calmas ondas do mar e uma música bem zen de fundo, não há como começar os dias de melhor maneira. Sinto realmente saudade quando relembro estes momentos.

Não havia nada que parasse esta doce preguiça, nem mesmo a chuva torrencial que apareceu uma ou duas vezes, e que nos deu ainda mais vontade de saltar para dentro da piscina!

À noite percorríamos as ruas à beira-mar repletas de restaurantes, lojas de recordações e diversos bares. Jantávamos a maior parte das vezes virados para o mar, acabando num bar para ouvir música ao vivo com um daiquiri de maracujá a acompanhar.

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Também houve dias de aventura e descoberta, quando fomos conhecer outros lugares, e até quando decidimos experimentar a típica massagem tailandesa! Por entre tantas massagens propostas em cada esquina, escolhemos a tradicional numa tenda bem em frente ao mar. Fomos surpreendidos por uma massagem tudo menos relaxante no momento, até um pouco bruta, em que ouvimos estalar cada osso do nosso corpo! Até os mais pequenos não foram poupados, como foi o caso dos dedos dos pés. Valeu-nos umas inspirações profundas, uns gritinhos, gargalhadas e por fim um corpo renovado.

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Não foi só a massagem que me renovou o corpo e a alma, foi um todo chamado Tailândia!

24
Jun19

Partidas

Um dia haveremos de sorrir ao relembrar estas partidas. Partidas tristes, aborrecidas e até enervantes. Partidas onde as malas nunca são suficientes para tudo. Partidas repletas de saudade, que doem menos desde que temos alguém do outro lado. Partidas que não nos cansamos de amaldiçoar, mas que sabemos que nos irão fortificar. Partidas em que as nuvens nos fazem sonhar. Partidas com promessas de voltar.

10
Jun19

Foco Força Fé

Foco, força e fé, foi aquilo que interiorizei na minha mente assim que meti os pés no caminho que decidi fazer há mais de um ano. Sem mais desculpas ou adiamentos, escolhi este dia, pois se não fosse agora, quando seria?
Pouco antes das cinco da manhã, saí de casa carregada de motivação, com um único medo: não conseguir chegar ao meu destino.
Rapidamente os primeiros obstáculos foram surgindo. Estradas repletas de curvas, sem um único passeio, onde o risco de atropelamento era constante. A chuva, a qual foi a maior inimiga deste percurso, pois sem ela os meus pés não teriam ficado molhados, e seriam bem menos martirizados. As primeiras bolhas acompanhadas das primeiras dores, as quais eram amenizadas com as mudanças de solo ou inclinação. Nunca pensei venerar subidas. Quase podia sentir os meus olhos a brilhar quando via uma estrada ou trilho a subir. As descidas, as quais também nunca pensei odiar tanto. Principalmente a última. Suspiro cada vez que a relembro, de tão dura que foi.
Estes não foram meros obstáculos. Foi sofrimento. Foi mandar palavrões ao ar. Foi perder a paciência para os que me acompanhavam. Foi tentar abstrair-me da dor, pensando no sofrimento dos outros. Foi pedir ajuda a Deus. Foi ter vontade de chorar, tal era o desconforto e dor, mas respirar bem fundo e continuar. Foram contrariedades que se demonstraram verdadeiras provas. E quando superamos provas somos sempre recompensados de alguma forma, e aqui não foi exceção. Foi sair de casa de mão dada com o marido, de sorriso confiante no rosto, e aquele friozinho na barriga. Foi ouvir o acordar dos pássaros pela manhã. Foi sentir o cheiro da chuva. Foi apreciar a calma e silêncio de alguns lugares, onde nos cruzamos só com animais. Foi redescobrir o poder da música, e o quanto ela nos pode abstrair. Foi caminhar em jeito de dança, e cantar em plenos pulmões no meio do nada. Foi o meu pai juntar-se a nós nos últimos quilómetros, os mais difíceis, e mesmo com dúvidas me dar força para continuar. Foi, em momento algum, pensar em desistir. Foi sentir-me grata por tudo o que tenho na vida. Foi chegar finalmente ao destino, entrar na igreja e desabar em lágrimas, tal era a exaustão. Foi a bela sensação de dever cumprido.
E tudo isto porquê? Porque em determinado momento da vida, prometi fazê-lo. Não que seja devota, muito menos praticante da religião na qual fui educada, mas gosto do lado espiritual das coisas. Gosto da magia de crer que há algo invisível, à qual nos podemos agarrar nos momentos mais difíceis da vida. Algo que nos conforta. Algo que nos acalma em tempos de tempestade. Algo que na mais pura das verdades, é a nossa força interior. Porque se virmos bem, nós somos deuses de nós mesmos, basta acreditar.

Caminhada a São Bento da Porta Aberta, 4 de Junho de 2019, 42km.

26
Mai19

Pronta

Ter férias em Junho é não ter tido tempo de perder os quilos a mais, ou de sequer ter a pele minimamente preparada para o sol. Fora isso, estou completamente pronta e feliz por saber que falta menos de uma semana para engordar mais um pouco e possivelmente apanhar um escaldão!

10
Mai19

Damnoen Saduak Floating Market

Depois da descoberta do Maeklong Railway Market e da Coconut Sugar Farm, prosseguimos viagem até Damnoen Saduak para conhecer o famoso Floating Market, um dos mais famosos e antigos mercados flutuantes. Este tipo de mercado é bem tradicional na Tailândia, havendo vários deles que se tornaram bastante turísticos, para não dizer demasiado, como é o caso deste.

Assim que chegamos constatamos isso mesmo, não tivéssemos que esperar pela nossa vez de embarcar. Enquanto saboreámos uma água fresca e fatias de melancia também frescas, a ansiedade foi aumentando, ainda mais quando vimos a velocidade a que saiam os barcos dali.

Chegou então a nossa vez de entrar num barco, onde só íamos os dois, com a nossa querida guia e o senhor que guiava. Começamos a travessia pelos arredores do mercado, onde diante dos nossos olhos surgiu uma pequena vila nas margens do canal, onde várias habitações típicas se encontram praticamente em cima da água.

Pelo facto de viverem nas margens de um canal, os habitantes locais acabaram por desenvolver ali os seus negócios, pelo que mesmo antes de chegar ao mercado, encontramos algumas lojinhas por ali.

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Apesar do movimento dos barcos nos canais, as habitações encontram-se num ambiente calmo e tranquilo, contrariamente ao cenário que se revelou assim que entramos finalmente dentro do mercado. O canal que até então era suficientemente largo, estreitou e uma confusão de barcos, rostos, ruídos e odores, envolveu-nos como dois braços que apertam sem querer largar. Rapidamente o trânsito parou, literalmente, e ficamos ali como que à deriva, encalhados em pleno mercado flutuante na Tailândia.

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