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DIÁRIO 89

Criando memórias desde 1989

26
Dez19

Joy to the world

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Finalmente cumpri algo que há muito tinha deixado pendente: enviei os meus primeiros postais para o mundo! Nada melhor que esta época para nos enchermos de inspiração e querermos espalhar magia e felicidade, de uma forma tão simples e original.
Desde que me conheço, sempre enviei cartas ou postais por correio, a conhecidos e não só. Apesar das novas tecnologias terem rompido um pouco este costume, de longe a longe ainda o faço, pois sei o quanto pode alegrar o dia de alguém, o simples abrir da caixa do correio. Espero que em Hong Kong, Estados Unidos da América e Polónia, estes pedaços de mim se transformem em grandes sorrisos!

11
Dez19

Sal I

Cabo Verde foi o destino escolhido das últimas férias de verão, as quais foram mais cedo que o habitual, mais precisamente no mês de Junho. Não era um país que fizesse parte da minha lista infindável de lugares que sonho conhecer, mas depois de postas as cartas na mesa, ou seja outros destinos e orçamentos, dissemos sim a este país irmão. De entre as dez ilhas que fazem parte de Cabo Verde, a pequena ilha do Sal foi a eleita.
Depois de um voo Porto Lisboa atrasado, e de uma avaria no avião que seguia para Cabo Verde, finalmente chegamos ao Sal já passava da meia noite. Passamos pelas formalidades para entrar no país, recuperamos as nossas malas e saímos do aeroporto. Assim que vimos o autocarro que nos levaria ao hotel, sentimos que deixamos 2019 para trás naquele instante. Um pequeno autocarro de aspeto vintage, com um atrelado para as nossas malas, estava ali pronto a levar-nos para uma nova aventura. A viagem foi breve, entre a escuridão e a calma da noite, não nos deixando nenhuma hipótese de vislumbrar aquilo que nos aguardava nos dias seguintes. Restou-nos largar as malas no chão do bungalow e descansar.
Acordamos no dia seguinte com o brilho do sol, o azul do céu e o verde das palmeiras a entrar janela dentro. Não demorou muito a que saíssemos do quarto, para depois de um pequeno-almoço recheado, irmos descobrir a praia de Santa Maria que estava a poucos metros dali. Deparamos-nos com um mar paradisíaco, de um azul turquesa tão intenso, que penso que seja o tom de água mais bonito que vi até hoje. Não foi preciso muito para mergulharmos no nosso primeiro banho do ano!

Após este primeiro contacto com Cabo Verde, resolvemos por os pés na rua e conhecer a pequena vila de Santa Maria. Além de descobrir, íamos também com a missão de comprar um cartão de telefone, pois já estávamos há mais de um dia incontactáveis, e convinha avisar a família que tudo estava bem. Sim, porque a minha mãe a esta hora já estava a fazer filmes de rapto na cabeça dela!
Pelo caminho fomos abordados imensas vezes pelos típicos vendedores de rua, o que pode se tornar chato quando estamos de férias, confesso. De entre tantos que cruzamos durante a nossa estadia, tentamos sempre privilegiar os vendedores cabo-verdianos, o que é fácil de perceber quais são, não fossem falar português. Digo isto, porque existem muitos vendedores senegaleses. No meio disto tudo, fomos rapidamente bombardeados pelo lema de Cabo Verde, que é nada mais tão simples que "No stress". 
Se inicialmente pensamos que este lema era somente ligado ao facto de estarmos num lugar paradisíaco onde podemos descansar e relaxar, ao longo dos dias fomos compreendendo melhor o significado de viver sem stress por aqui. A primeira situação que nos fez ver, que mais que um lema, é uma forma de vida, foi quando entramos na primeira loja de telecomunicações para comprar então um cartão de telemóvel. Esperamos, esperamos e esperamos. A senhora atendia tranquilamente um cliente, com tantos outros ali à espera. Ficamos ali um bom pedaço de tempo, e eu que até sou paciente, o meu lado stressado acabou por vir ao de cima e desisti daquela loja. Acabamos por encontrar outra loja, compramos o cartão e finalmente pude dizer a minha mãe no stress, estou viva!

28
Nov19

O Natal chegou a casa

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Hoje foi a sétima vez que fizemos o pinheirinho de natal juntos, cá em casa. A casa que partilhamos a quilómetros de distância do nosso verdadeiro lar, numa tradição que não deixamos de cumprir. A casa onde passamos a maioria dos natais, sozinhos, com amigos e raras vezes a família. A casa que nesta data nos reúne fugazmente, entre turnos de trabalho. A casa que apesar de toda a decoração e a nossa boa vontade, lhe falta a verdadeira essência desta época. A casa, que não consigo chamar verdadeiramente de lar. Porque esse, como sempre ouvi dizer, é onde o nosso coração está.

16
Nov19

Daqueles dias

Hoje é daqueles dias que acordo de sorriso no rosto, e ele perdura o dia todo. Daqueles dias, que mesmo que eu odeie trabalhar ao fim de semana, tenho vontade de ir.  Daqueles dias que quero que passe bem rápido, pois sei que algo de bom me espera no final. Daqueles dias que esperamos ansiosamente após cada despedida. Daqueles dias que nos mostram o poder do reencontro. Daqueles dias que os nossos braços se fazem pequenos num abraço. Daqueles dias que o nosso coração se preenche da presença daqueles que amamos.

04
Nov19

Aquele mais

Cuidar de pessoas com idades avançadas, significa numa boa parte das vezes, cuidar de pessoas no fim das suas vidas. Quando por vários motivos, não há cura, tratamento ou melhoria possível, entramos no mundo dos cuidados paliativos, onde o conforto é a palavra chave.
Nem sempre é fácil confortar uma pessoa que para além da dor, sofre com a angústia de estar a morrer. Não trabalhando num serviço que se dedica exclusivamente a cuidados paliativos, ainda menos. Fazemos o nosso melhor com os meios que temos, pelo que não são poucas as vezes que sentimos que poderíamos fazer mais, por alguém que está prestes a despedir-se deste mundo.
Porém há umas semanas, fizemos esse mais. Aquele mais que nos confortou o coração, a nós cuidadores, à família e aquele doente que entretanto partiu. Esse mais, era um pedido bastante simples do filho: uma visita do cão ao seu pai. Num ambiente hospitalar não é o mais indicado, mas depois de ponderar e tomadas as devidas precauções, acabamos por autorizar.
No dia seguinte, estava eu no corredor do serviço, quando vejo um ser diferente por ali. Lá estava o cão no colo do filho do doente, o qual vinha com um sorriso estampado no rosto. Confidenciou que o pai tinha estado mais alerta, comunicativo e tinha sorrido para eles, o que era raro naqueles últimos dias. Quanto ao cão, esse aninhou-se bem junto do dono, tais eram as saudades que tinha e que ficariam para sempre, a partir dali.
Quanto a mim, pensei que se estivesse naquela situação ia desejar o mesmo, não fosse o meu cão ter falecido há dois anos. Nisto, fui invadida de uma sensação de dever cumprido, mas também de uma enorme saudade pelo ser de quatro patas que tanto amei e continuo a amar.

31
Out19

Florença

Itália sempre foi o país pelo qual me senti apaixonada sem ainda o conhecer. Não sei realmente porquê, mas sempre houve algo que me fascinava nele. Como dizem, há amores que não se explicam! Florença era então a cidade com a qual mais sonhava sempre que imaginava Itália, de tal maneira que fazia parte da minha lista de sonhos a concretizar. Não era um sonho assim tão difícil de concretizar, em comparação com outros, mas a verdade é que às vezes há coisas que estão ao nosso alcance que simplesmente deixamos passar ao lado, à espera do melhor momento. E porque não tomar o agora como o melhor momento?
Depois de conhecer Roma há dois anos, Pisa na véspera, e após uma hora de viagem de comboio, finalmente cheguei a Florença no dia dos meus trinta anos. Parti à descoberta de sorriso no rosto, e de coração feliz por ali estar. Saímos da estação, começando pela Piazza Santa Maria Novella, prosseguindo pelas ruas de Florença sem ajuda de mapas. Quantos mais passos dávamos, mais deslumbrados ficávamos.

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Chegamos à Piazza della Signoria, uma simpática praça, onde podemos encontrar o Palazzo Vecchio, sede da prefeitura e museu. Imediatamente ao lado do palácio está a Loggia dei Lanzi, um museu ao ar livre com diversas esculturas. Por aqui encontramos-nos com o famoso David, de Michelangelo! Uma das muitas réplicas, visto que a escultura original encontra-se na Galleria dell'Accademia.

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O Palazzo Vecchio está ligado à Galleria degli Uffizi e ao Palazzo Pitti através do Vasari Corridor. Este era um corredor privado dos Médici, o qual está forrado por pinturas. O palácio Pitti era o antigo lar dos Grandes Duques da Toscana, tendo albergado importantes famílias como por exemplo os Bonaparte.
Florença é sem a menor dúvida, uma cidade repleta de arte e imenso charme. Fomos acolhidos por um tempo tão bom para um mês de Fevereiro, que preferimos apreciar a beleza das ruas e praças, dos edifícios e monumentos, das pontes e do rio, e até da maravilhosa gastronomia. Com isto tudo e dois dias de sol, deixamos completamente de lado os museus.

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Já nos questionávamos se Florença não era tão ou mais bonita que Roma, até conhecermos a Piazza del Duomo com o imponente Duomo. Nem de longe as imagens vistas previamente na internet, fazem jus a ver esta catedral gótica ao vivo. Entre os tons de mármore verde, rosa e branco, ficamos colados a olhar para a catedral de Santa Maria del Fiore. Bellissima!

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22
Out19

O vestido

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O meu vestido de noiva faz parte das melhores recordações que ficaram do nosso casamento. Dou por mim cheia de saudade, quando vejo um casamento em algum filme ou programa de televisão. Fico com vontade de voltar a vesti-lo e sentir-me como naquele dia. Vestida de branco, tule e renda, sentia-me linda por fora mas sobretudo por dentro. Apesar do comprimento do vestido, do saiote, do imenso véu e dos enormes saltos de doze centímetros, sentia-me leve. Leve e imensamente feliz.

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